Desde 2004, nos quatro dias do Carnatal, a lavadeira Maria de Lourdes da Silva, 67, muda sua rotina. Deixa os tanques em que trabalha diariamente e vai ao corredor da folia trabalhar como cordeira. Chega às 13h e vai embora só na hora em que o evento acaba. Ela, que adora a folia, mas nunca teve condições de participar, afirma que é uma "sensação maravilhosa e a realização de um sonho estar em uma festa grande como essa". Recebendo R$ 10 por noite, Maria de Lourdes e as centenas de cordeiros que trabalham nos dez blocos da micareta ganham também como lanche "um pão pequenininho com mortadela e um suco" para aguentar o ritmo de tantas horas de trabalho no corredor da folia.
No entanto, o baixo valor concedido a esses profissionais é recebido com muita alegria. "Ganho pouquinho, levo uma vida simples. Quando chega uma hora, tenho que gastar o pouco que recebi comprando mais uma coisinha para comer, se não morro de fome. Mas vale a pena porque apesar de eu ter mais idade, gosto de festa, alegria e folia e sempre desejei participar do Carnatal. Um dia, quem sabe, eu não fico do outro lado da corda. Por enquanto, só desse lado mesmo, mas dentro da folia com certeza", revela animada.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Fora do bloco, mas dentro da folia
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